Um breve relembrar da história

A história da população quilombola em Cabo Frio começa com a presença de africanos escravizados junto com os indígenas originários na região desde o período colonial. No século XVII, a Fazenda Campos Novos foi estabelecida, e tanto indígenas quanto africanos eram obrigados a trabalhar na produção agrícola e na exploração de madeira, principalmente para abastecer o Rio de Janeiro. Esses trabalhadores viviam em condições extremamente duras, realizando atividades como o cultivo de açúcar, milho, feijão, arroz, mandioca e a extração de madeira.

Com a proibição do tráfico internacional de escravizados em 1831, a região, incluindo áreas como Peró, Armação dos Búzios e Rio das Ostras, passou a receber desembarques clandestinos de africanos escravizados em troca de mantimentos que abasteciam os navios negreiros.

Após a Abolição da Escravidão, em 1888, os libertos enfrentaram novas formas de exploração, como o pagamento de arrendamento semanal aos antigos proprietários das terras. Diante dessa realidade e para garantir sua sobrevivência e autonomia, os negros começaram a se organizar em comunidades quilombolas. Nessas áreas afastadas, cultivavam a terra, criavam animais e preservavam suas tradições culturais. Essas comunidades eram formadas não apenas como refúgio físico, mas também como espaço de resistência social, mantendo viva a memória de seus antepassados e a identidade cultural afro-brasileira.