“Confirmando a força econômica dos salineiros daquela época, destacamos que todas as firmas salineiras possuíam suas lanchas de transporte de sal, que eram conhecidas como ‘Lanchas do Sal’, as quais vinham não só de Massambaba, como também de outros municípios da região, e essas lanchas, com a imponência de suas velas, singrando as águas da nossa Lagoa de Araruama, eram um espetáculo bonito de se ver! As lanchas bordejando (andando de ‘bordos’), vencendo os ventos contrários, emoldurando a nossa preciosa Lagoa, com suas imponentes velas que, com a força do vento, as impulsionavam na navegação. Eram lanchas construídas em madeira, com dois mastros, e com suas velas chamadas de ‘estágio’, a vela da proa; o ‘latino’, a vela central e a vela final, a da popa da lancha. E, assim, iam as lanchas cumprindo a sua missão de transportar aquela riqueza de outrora, o sal da nossa região, transportando-o para os armazéns destinados para esse fim, os Armazéns do Sal, localizados na Passagem (…).”

“Hoje, infelizmente, vemos as salinas se acabarem, sendo desativadas para construção de loteamentos. Não temos mais os nossos símbolos salineiros: as montanhas do sal (as eiras de sal, como eram chamadas); os moinhos cataventos; as lanchas do sal e os navios. Tudo se acabou, tudo desapareceu da nossa terra e das terras circunvizinhas.”